Pelo visto, querem o tetra

Foto: Luciano Belford/AGIF

Não há como – nem faz sentido – falar muita coisa do jogo que antecedeu as cenas de estupidez e barbárie que rodaram o mundo na noite de ontem e, com certeza, vão custar muito caro ao Club de Regatas Vasco da Gama. Foi uma partida bem disputada, com chances de gols para os dois lados e que poderia terminar com qualquer um dos três resultados possíveis. Se foi com vitória do time visitante, desta vez não se pode colocar a culpa na arbitragem – pois houve sim falta claríssima do Luis Fabiano no início do lance do gol do Vasco que foi anulado. Méritos totais para um jogador diferenciado, o Everton Ribeiro, autor de um drible genial e um cruzamento primoroso para o cabeceio fatal do xará dele.

Assim é o futebol, feito de momentos bons e ruins para todas as equipes e suas torcidas e que deve ser encarado como fonte de lazer e entretenimento. Sou daqueles que ficam chateados demais quando vê seu time perdendo para o seu maior adversário. Mas para por aí. Garanto que ninguém nunca vai me ver saindo na mão ou cortando relações com alguém por causa de rivalidades futebolísticas.

O que tenho de mais precioso e importante na vida é meu filho, Davi. E ele é fruto do amor entre um vascaíno e uma flamenguista. Óbvio que eu quero muito que ele venha me acompanhar na torcida pelo Gigante da Colina e vou usar todos os argumentos possíveis para que isso aconteça. Só que amor não se explica nem pode ser imposto. Se o coração dele bater mais forte por outras cores, serei obrigado a aceitar e respeitar. E não vou deixar de amá-lo por isso.

Não faz o menor sentido este ódio cego que provoca brigas, pancadaria, terror e morte. Ontem à noite mais uma mãe teve que se despedir para sempre de um filho que saiu de casa para assistir a um jogo do seu time. Não sei em quais circunstâncias se deu o disparo que provocou a morte do “Jacaré”, como era conhecido o mais recente integrante desta estatística terrível. O nome dele também era Davi e uma matéria publicada pelo Globoesporte.com deixa claro que o comportamento dele nas redes sociais indica que fazia parte de uma torcida organizada do Vasco, a Força Jovem. E foi-se o tempo em que torcida organizada era sinônimo apenas de alegria e festa nos estádios e fora deles.

Fui a São Januário recentemente para acompanhar uma partida praticamente de torcida única: Vasco x Avaí. Apesar de não haver nenhuma rivalidade clubística envolvida, testemunhei brigas entre membros de facções rivais, bombas estourando nas arquibancadas e policiais despreparados atirando balas de borracha “para onde o nariz estava virado”, atingindo pessoas que não tinham nada a ver com as confusões que estavam acontecendo.

Tudo culpa dos bandidos que se dizem torcedores, porém ficam muito mais eufóricos quando estão trocando xingamentos, socos e pontapés do que no momento máximo do esporte, uma celebração de título. Não raro, este tipo de ocasião também vira palco de episódios de selvageria.

É gente que não está preparada para viver em sociedade. E como tinha gente assim ontem no estádio mais charmoso do Brasil, construído há 90 anos pela união dos torcedores do primeiro clube a aceitar negros no futebol brasileiro. Gente estúpida, que colocou a própria vida e a de muitas pessoas de bem em risco. Gente que diz amar o Vasco incondicionalmente, porém depredou o patrimônio do clube e vai fazer com que ele fique por um tempo considerável sem poder jogar no lugar em que conquistou 15 dos seus 16 pontos atuais.

Parabéns, imbecis! Se o Vasco for rebaixado pela quarta vez em 10 anos, vocês terão papel fundamental nesta marca nada honrosa.

Cumprimentos também ao ser ignóbil de nome Eurico Ângelo de Oliveira Miranda. Este senhor já viveu 73 anos, mas parece uma criança mimada que é dona da bola e por isso se acha no direito de ditar as regras e de ganhar a qualquer preço. No caso da partida contra o Flamengo, ele jurava que o “território hostil” do Caldeirão seria garantia de vitória.

Esta decisão – avalizada pela CBF – foi de uma irresponsabilidade sem tamanho porque um jogo com tanta rivalidade envolvida não pode ser disputado em um local com dificuldade de acesso e circulação e sem o aparato de segurança que só é possível no Rio de Janeiro em dois estádios: Maracanã e Engenhão.

Pressão é importante e ajuda sim, mas não decide jogo. Isso quem faz são os jogadores que estão dentro de campo. E a grande verdade é que o Flamengo tem sim um time e um elenco muito mais forte do que o nosso atualmente.

Reconhecer isso não vai abalar em nada a minha vascainidade. Nem a minha torcida para que o Flamengo sempre perca. Mas que seja na bola. E que todos possam ir embora em paz para querer voltar no jogo seguinte.

 

#SOLADADOBACALHAU: continuo com certeza absoluta que o Curíntia é cavalo paraguaio; quando perder a primeira, vai começar a descer a ladeira da tabela…

Hermom Dourado

Hermom Dourado

Jornalista da Universidade Federal de Uberlândia, assessor de imprensa do Esporte Clube Rio Verde na memorável campanha do rebaixamento no Goianão 2013, e a prova viva de que o hino do Flamengo é uma farsa, pois nasceu urubu e tem plena convicção de que será Vasco - e não apenas até morrer, mas - por toda a eternidade!!!
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Hermom Dourado

Jornalista da Universidade Federal de Uberlândia, assessor de imprensa do Esporte Clube Rio Verde na memorável campanha do rebaixamento no Goianão 2013, e a prova viva de que o hino do Flamengo é uma farsa, pois nasceu urubu e tem plena convicção de que será Vasco - e não apenas até morrer, mas - por toda a eternidade!!!