Muita calma nesta hora

Bastou uma atuação de gala no último domingo, com os dois gols da vitória fora de casa contra o Atlético-MG – e a honra de entrar para a história como o primeiro jogador nascido após o final dos anos 1900 a balançar as redes no Brasileirão -, para Paulo Henrique Filho ser alçado à ídolo e grande esperança da torcida vascaína. Na mídia especializada e nas redes sociais pipocam comentários elogiosos e comparações provocativas com o badalado Vinicius Junior, também de 17 anos e já vendido ao Real Madrid pela bagatela de aproximadamente R$ 170 milhões.

Mais decisivo e efetivo até aqui que a revelação flamenguista, Paulinho tem a seu favor a certeza de que será muito mais utilizado neste campeonato do que seu companheiro de ataque na conquista do título sul-americano sub-17 pela Seleção Brasileira, no ano passado. Enquanto o rubro-negro precisa disputar espaço com vários nomes já consagrados contratados este ano por uma diretoria competente e que está reerguendo o clube, o cruzmaltino surge como um diamante que precisa ser utilizado ainda em sua forma bruta porque está em um grupo limitado tanto em quantidade quanto em qualidade.

E não adianta o “tiozão do charutão” convocar entrevista coletiva para dizer que a utilização dos atletas da base já agora, antes mesmo do final do primeiro turno do campeonato, era algo planejado pela diretoria e que já havia sido combinado com o treinador Milton Mendes. Qualquer pessoa que entenda o mínimo de futebol sabe que ninguém em sã consciência vai querer lançar como titulares de um time grande e tradicional várias jovens promessas. Ainda mais se for “em uma tacada só”, como está ocorrendo no Vasco.

A chance da aposta dar errado é enorme. E o que é pior: criar muita expectativa em cima de um jogador antes que ele tenha maturidade para encarar tamanha pressão aumenta em muito o risco de “queimar” o garoto e vê-lo como mais um a engrossar a estatística dos que não vingam.

No próprio elenco atual do Gigante da Colina existe um exemplo claro disso. Thalles – que já foi chamado de “Balothalles” e agora é mais conhecido pelos quilinhos a mais e pela fama de habitué nos bailes funks cariocas do que pelo bom futebol apresentado – começou a atrair os holofotes em 2014. Naquela época, a renovação de contrato do atacante incluiu uma multa rescisória que era maior do que a de Neymar.

Pois que Paulinho siga sendo apenas o Paulinho, por enquanto: um garoto que tem tudo para dar certo e que não pode ter sob seus ombros a responsabilidade de ser o grande nome de um time com camisa tão pesada como a do Vasco; o orgulho do barbeiro Paulo Henrique, que teve a graça de parar de torcer para um time de Série C depois que o filho caçula ingressou na escola que viu nascer Romário, Edmundo, Roberto Dinamite e tanta gente boa que fez história no futebol mundial.

#SOLADADOBACALHAU: leio na internet a informação de que o Parque do Sabiá surge como candidato a sediar partida(s) em que o Vasco precisa cumprir mando de campo; caso a CBF libere isso, com certeza marcarei presença e engrossarei o coro do #foraeurico que certamente também ecoará aqui na bela e acolhedora Berrrrrrrrrrlândia

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comentário

Maria Marques

Apaixonada pelo Cruzeiro desde criança, quando assistia aos jogos sentada ao chão junto ao meu pai que me ensinou a vibrar, xingar, reclamar, desistir, retornar, defender e atacar. Pra mim "Existe um grande clube na cidade​/que mora dentro do meu coração​/eu vivo cheio de vaidade​/pois na realidade é um grande campeão​"!